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Terça-feira, 10 de Junho de 2008

Conforme adiantei aqui, eu trabalhava na Iguaçú como locutor e redator de notícias, e realizava também cobertura de eventos, entre eles, resultados de vestibulares, eleições, festivais de música, etc… Ao mesmo tempo, na Atalaia trabalhava como Relações Públicas, pois aquela emissora não fazia reportagens, entrevistas ou qualquer outra transmissão externa. No entanto, precisava estar nas repartições públicas, tais como Câmara de Vereadores, Prefeitura, Palácio Iguaçú, Assembléia e por aí á fora. A Rádio Atalaia era uma Rádio incomum para a época, pois com a vinda de Lourival Pedrazziani (o Palito) que estava na organização em Londrina desde 1962, foi implantado um sistema totalmente diferente do que as outras emissoras faziam. A Atalaia, como escreveu Aramis Millarch no jornal “Estado do Paraná” (06/03/1988), “primeiro lugar no IBOPE entre as AMs, que com sua programação popularíssima, na base da seleção musical brega, linguagem simples, consegue aquilo que suas principais concorrentes tentam, a todo custo, obter: a fidelidade dos ouvintes“; chegou a atingir 23 pontos no IBOPE, acima, vejam bem, acima da segunda colocada. Tinha uma chamada que marcou época, um prefixo famoso e que se ouvia por todos os cantos: “Ataalaaaaiiaaaa!!!. Lembram? Aliás, também lembro e rendo homenagem a canção “Boi Barroso“, que o Sistema Guaíba de Rádio elegeu para prefixo musical de suas emissoras AM e FM, talvez a toada mais popular do Rio Grande do Sul. Voltando à Atalaia, na sequência falarei mais, observaram aí, eu disse “falarei” e não “escreverei“.

Boa música, mínimo de propaganda e hora certa

Com a chegada de Lourival Pedrazziani (Palito), diretamente de Londrina para dirigir a emissora, a Atalaia teve um grande impulso. Foi a implantação do seguinte esquema: uma música, intercalando-se hora certa e uma propaganda, nada mais. Notícias, só de hora em hora. Terminada a música, entrava uma voz forte e grave dizendo: – “ATALAIA, 01 hora, 10 minutos.”, e assim sucessivamente, durante as 24 horas de funcionamento, ininterruptas. A voz era do locutor Geraldo dos Santos, daí seu apelido de Atalaia. O Palito, grande conhecedor da música brasileira, passava o tempo todo em sua sala ouvindo faixa por faixa dos Lps e Compactos, que eram trazidos pelos divulgadores das gravadoras. Não entrava uma só musica na programação, sem ser ouvida e analisada pelo Palito. Lembram-se do programa “Globo de Ouro”, toda quinta na Rede Globo? Pois dava a impressão que os programadores da Globo ouviam a Atalaia, para compor seu programa. Música por música daquele programa, estavam programadas na Atalaia a muito tempo. Os ouvintes se deliciavam ouvindo boa música, um mínimo de propaganda e, hora certa. Simples não? Assim eram as Atalaias, quatro emissoras, localizadas em Curitiba que capitaneava a programação, Belo Horizontes, Londrina e Maringá. O Departamento Comercial chegava a rejeitar publicidade, fosse de quem fosse, se isto viesse a desequilibrar o esquema. Havia até verba para receber patrocinadores de grandes centros, para almoços e jantares, só pra lhes dizer que não seria possível aceitar suas verbas. Por isso, a Atalaia marcava 23 pontos no IBOPE, acima da segunda colocada. O proprietário das emissoras, Hélio Barroso Filho, dava carta branca para os gerentes das emissoras, para que fizessem aquilo que achavam certo. Outra coisa, não havia bláblá…blá… de apresentadores, nem entrevistas ou qualquer tipo de promoção pessoal, de quem quer que fosse. Foi uma grande tacada. Contarei mais.

Fonte: http://pbradialista.blogspot.com

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